domingo, 5 de junho de 2011

A receita de Fando [Por Marcus Lobo]

É chegado a hora de saborear o produto há tempos desejado. A poucas horas de entrar em cena pra contar um pequeno fragmento da história de “Fando e Lis”, arquitetada e escrita por Fernando Arrabal, eu já consigo sentir aquele friozinho na barriga que minha amiga de cena Ágata Matos se refere em seu ultimo poste aqui no blog.
 Hoje no ensaio geral eu parei pra analisar minha trajetória até aqui. Como foi coletar, paciência, atenção, força, e desapego, ingredientes necessários para minha receita dar certo... Foi um processo tenso e intenso, eu não conseguia ver em mim a força que emanavam das pernas de Fando, não havia em mim sua brutalidade natural, muito menos seus desejos sexuais se encontravam em meu corpo, mas eu lembrei de uma frase que Lilih Curi falou em um dos ensaios: “ Você não é Fando, também não quero que você apenas reproduza o texto e cumpra suas marcações. Viva essa energia que não é sua, deixe seu corpo reagir, obedeça o que ele pede, se jogue na ação.” Ela não usou essas palavras mas seus ensinamentos reverberaram em minha mente e  eu me joguei.
 Já estava com os ingredientes em mãos, so precisava mistura-los. Foi o que fiz durante esse mês de ensaios e discursões, ao meu lado tive uma direção muito amiga, Romeran Ribeiro tentava conter minha mania de grandeza, meu descontrole vocal e minhas afobação, do outro lado tive a paciente e agradável Ágata Matos que me ajudou a ter força e controlar meus impulsos, [risos] ela suportou muitos chutes e apertões... Tadinha!! Ao nosso redor tivemos os amigos do Grupo forte, que colocaram as mãos junto conosco na batedeira para produzir esse maná que depois de aquecido se mostra pronto para a degustação.
Me vejo amadurecido nessa experiência, me vejo crescendo num caminho que não é só meu, é do coletivo, cada amigo do grupo forte me deu um pouco de sua energia para criar um novo Fando, com minha força, minha energia sexual, e minha brutalidade, eu redescobrir um Fando dentro de mim. Eu percebi que, se jogar à ação te da mas verdade na cena, te deixa mais a vontade para brincar com esse personagem que te foi confiado, se jogar na ação te faz aprender a ter força e a confiar em você mesmo. Por que assim eu descobrir que eu posso ser Fando, e posso ser quem mais eu quiser...


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