domingo, 5 de junho de 2011

PROCESSO DE COMPOSIÇÃO – “FANDO E LIS EM BUSCA DE TAR”


O diretor tem o papel importantíssimo na composição de cenas. O norte dado a toda movimentação, estética e poética normalmente parte desta cabeça pensante. Em “Fando e Lis em busca de Tar”, o direcionamento da ação contrapôs este modelo supracitado. A vertente adotada foi o processo colaborativo.

O engessamento da forma de fazer teatro com atores subordinados ao encenador traz uma dificuldade que é a de apenas um ser ficar responsável pela a arte. Esta verticalização torna tudo menos fluido e a monotonia vem como conseqüência, pois a diversão deve ser disponível a todos para que haja a dinâmica. No entanto, oposto aos pontos positivos, é o intérprete que espera um norteamento partindo da figura do compositor mor. “Afinal, se não houver um caminho a ser seguido como se efetivará o que é pensado?” O ator racionaliza. Diante das contradições de como encenar é que esta obra de Arrabal se deu.

Inicialmente tínhamos a disposição pouco tempo. A oportunidade de ensaio foi única, um dia antes da apresentação em sala. Com isso, como em um encontro fazer com que o jogo cênico aconteça, tendo um texto de grande complexidade, sem que o tédio chegasse aos espectadores? Marcus e ágata eram peças conhecidas, dominam a dança, então a improvisação corporal seria o ponto de partida. O que não era esperado era o rojão de perguntas que começaram a surgir. Desde ao que deveriam fazer em certos momentos até que tipo de ser que deveriam incorporar.

A minha inexperiência era latente. Não tinha conhecimento de como provocar para surgir a cena, e o pior, o texto não estava totalmente claro, nos escritos o que se percebia era uma relação de grande complexidade em que um personagem se subordinava ao outro. Apesar das dificuldades formamos uma célula primária. Apresentamos e a prática foi aceita. Posteriormente, Lilih entrou no circuito nos apresentando uma vertente de direção que iríamos descobrir como processo colaborativo.

A partir daí as coisas fluíram com mais intensidade. Os atores, então, trouxeram seus conhecimentos e da improvisação o texto começou a revelar entonações e variações de humor ainda não tão claras. O dinamismos ascende e as nuances esclarecem o que há entre “Fando e Lis”. O figurino, os objetos em cena, tudo que representassem esteticamente algo era discutido (nem todas às vezes democraticamente) e acordado como seria feito. Admito que a relação entre direção e elenco deve evoluir, pois não está ainda concisa. Aguardo este momento de interação utópico, onde os acordos e os debates tenham resultados unânimes entre todos.

        ROMERAN RIBEIRO

 


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